quarta-feira, 22 de outubro de 2014

OS EXILADOS




OS EXILADOS

“Dor! Ao peito o ar natal nos tem tanto faltado!
Aqui, é lenta ao nosso corpo a seiva.
Montes, pinhos, mas onde, e aqueles nossos cabos
Cujo espinho, qual franja cobre as beiras?


“Onde o verde pendor dos nossos vales,
Em que o olhar se compraz nas filas tantas,
Formadas, margeando os argentinos mares,
Pelos tetos das nossas casas brancas?


“Onde o nórdico inverno e as tempestades grãs,
Gigantes de que tenho, aqui, saudade:
E o espesso nevoeiro e as festas folgazãs
Em que o prazer afasta a gravidade?


“Aqui, mesma estação e monótono céu;
O tempo muda muito pouco, às vezes.
No cálido ar, com pó, sussurra um vento ao léu.
Ah! Dai-nos nossas neves, nossos verdes!”


François-Xavier Garneau (1809-1866)
Tradução de Renata M. P. Cordeiro