sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O FIM E O QUERER ******************



O FIM E O QUERER******** 

Vou partir não desta vida, deste mundo ou desta cidade.
Vou partir desta vaidade.
De um ser de quem não falo, tolinha!
Das verdades que se revelaram grandes mentiras.
Dos sonhos? Destes, não partirei jamais.
Vou partir enfim.
De uma coisa de que me revesti e não quero mais.
Vou partir simplesmente assim.
Largo tudo o que não vale
Vou partir de dentro de mim.
Sem despedidas, sem surpresas.
E quando eu decidir voltar,
Vou surpreender a mim
Serei esta e muitas outras com certeza.

@ Renata Cordeiro



Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera
para que continues me olhando.

Pablo Neruda






quinta-feira, 26 de agosto de 2010

QUE MUNDO MARAVILHOSO!






QUE MUNDO MARAVILHOSO!

Eu vejo as árvores verdes e rosas vermelhas!
Eu as vejo florescerem para mim e pra ti
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas!
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite...
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

As cores do arco-íris, tão lindas no céu!
Colorem os rostos das gentes que vão e vêm
Vejo pessoas dando-se as mãos, e uma dizendo pra outra: "olá, como vai?"
Na verdade, dizem-se: “eu te amo!”

Eu ouço nenês a chorar, eu os vejo crescer.
Aprenderão muito mais do que eu jamais saberei...
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso!


Bob Thiele; George David Weiss; Robert Thiele Jr.
Trad. livre da Renata

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O AMOR QUANDO SE REVELA




O AMOR QUANDO SE REVELA

Fernando Pessoa



O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...



terça-feira, 24 de agosto de 2010

VOU CONTIGO*****



VOU CONTIGO*****


Quando estou só, eu sonho com o horizonte, e me faltam as palavras.

Não há luz numa sala sem sol

E não há sol se não estás comigo.

De cada janela, me abres o coração, o coração que tu conquistaste.

Em mim derramaste a luz,

A luz que havia à beira da estrada.

Vou contigo

A lugares que eu nunca vi nem estive

Agora, eu tenho, vou navegar em barcos pelos mares,

Mares que já não existem,

Vou contigo.



Quando estás distante, eu sonho com o horizonte e me faltam as palavras.

E é claro que eu sei que estás comigo.

Tu, minha lua, estás comigo.

Meu sol, tu estás aqui comigo.


Vou contigo
A lugares que eu nunca vi nem estive
Agora, tenho, vou navegar contigo em barcos pelos mares,
Mares que já não existem.




Vou revivê-los contigo

Vou contigo em barcos pelos mares

Mares que já não existem.

Vou revivê-los contigo

Vou contigo.


Tu e eu.






Mix. Rê

domingo, 22 de agosto de 2010

PORQUE O MUNDO MORRE DE FALTA DE AMOR*************



PORQUE O MUNDO MORRE DE FALTA DE AMOR*************


Que o que eu sinto seja claro qual o cristal;

Que em meu coração cante a alegria, sem mal;

Que da minha boca só saiam palavras de amor;

Que em minh´alma, eu gere um jardim todo em flor,

Que me encha as veias, fornecendo-me o calor

Que me dê o necessário alento, o ar, o frescor,

Para que o meu coração não oscile demais ;

Que eu não me torne sórdida com os meus iguais;

Que eu continue amiga, firme e sincera.

Hoje e sempre, aqui, em meio a esta nova era;

Que eu continue a ajudar na minha medida;

Que de pés no chão sempre alcance a poesia

Que a vida seja altar de amor, sem teoria...









quinta-feira, 19 de agosto de 2010

NÃO TENHO AMBIÇÕES NEM DESEJOS



NÃO TENHO AMBIÇÕES NEM DESEJOS


Fernando Pessoa




Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sózinho.
...
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...
...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
...
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas
...





quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ERA UMA VEZ....



ERA UMA VEZ....


Era uma vez um homem e uma mulher. Perdidamente apaixonados. Para o homem, a beleza daquela mulher era algo que ninguém, no mundo, pudera contemplar: mística, sensual, e linda como a flor das flores: a rosa. No seu rosto, porém, havia algo singular: um sinal branco no olho direito. Marca tão ínfima como um grão de sal. A princípio, o homem não percebeu esta marquinha. O tempo passou. E a mulher não sentia mais o coração ardente do amante. Tinha a certeza de que ele a amava com indiferença e frieza.

Certo dia, pegou-a pelo queixo e franziu as sobrancelhas.

- Deixe-me ver o seu rosto!! Você tem uma marca no olho! Desde quando?

- Desde o dia em que você deixou de me amar!*

Ele a abraçou e sussurrou:

- Como? Se é justamente esta marca que faz com que eu a ame sempre mais e mais...**





@ Renata Cordeiro

· Acabaria aqui se o conto se houve baseado somente em Henri Gougaud, “L`Amour Foudre” (séc. XXI).

· Acaba aqui porque se baseou também em Stendhal, “De L´Amour” (séc. XIX).



terça-feira, 17 de agosto de 2010

E AÍ, QUEM É QUE MORRE, QUEM É QUE VIVE MAIS?


E AÍ, QUEM É QUE MORRE, QUEM É QUE VIVE MAIS?

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projeto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples ato de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda





segunda-feira, 16 de agosto de 2010

ILUSIÓN*




ILUSIÓN*



Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi

Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella no supe qué hacer
y se me fue
Porque la dejé
¿Por qué la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe qué hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por qué la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de ser la feliz
Porque la dejé
¿Por qué la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue.



* Julieta Venegas e Marisa Monte

domingo, 15 de agosto de 2010

DUAS LUAS NO CÉU E DUAS CANÇÕES*****







DUAS LUAS NO CÉU E DUAS CANÇÕES*****

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Doze luas há em ti e sete marés
Sete barcos navegam a procurar
Um porto uma praia
Talvez no fim do mar onde alguém nos venha esperar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu na palma da mão
Dois olhares que se entregam até ao fim
Do corpo e da alma
Em todos os lugares onde o mundo me fala de ti

À tua volta há luz de sete luares
Sete barcos navegam para encontrar
Um fogo um calor
Talvez no fim de tudo haja força pra recomeçar
Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode tocar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo


No Rasto do Sol
Mafalda Veiga