domingo, 30 de novembro de 2014

O CÉU DESPENCA

O CÉU DESPENCA


chô, chuá
chove no Jaraguá
chove chuva
sem parar
inundando as marginais
imundando quem se atola
chove chuva no Tatuapé
e muito nego deixou o blindado
prá se locomover a pé...
chô, chuá
a cidade não pode pará
bradam aflitos
os capitães da indústria
a massa de formigas laboriosas
está desorientada
tem água na trilha
quem saiu e não chegou
quem foi e não voltou...
a chuva castiga os morros
levou cavaquinho e violão
invadiu a casinha da dona Maria
derrubou a árvore
arrastou cães e crianças
e implacável despenca seu choro
das nuvens ameaçadoras
que choram em convulsão
será que o pranto não passa?
E essa enxurrada que rola e arrasta
ladeira abaixo
passarela de bananas e melancias
trastes e troços
arrancados dos barracões...
chô, chuá
haja algodão
prá enxugar tanta lágrima!

11 comentários:

Edumanes disse...

Belo chô, chuá
você escreveu
chove no Jaraguá
lindo poema o seu.

Chuva de lágrimas,
essa nunca não
com lindas palavras
sem mágoas no coração
foram encontradas
com muita emoção
dentro do peito guardadas
para sempre recordação.

Bom domingo,
um beijo para você Renata.
Eduardo.

ReltiH disse...

SENTÍ IMÁGENES MUY MELANCÓLICAS.
ABRAZOS

VitorNani disse...

Olá Renatinha!
Bela crônica de primavera!
Onde o céu deveria despencar, não despenca!
Desperdício que vem do céu!
Abraços e boa semana!

VitorNani/Hang Gliding Paradise

Carmem Grinheiro disse...

Boa noite Renata
Quando a chuva enraivecida se torna desgraça.

bj amg

Rosemildo Sales Furtado disse...

Quem sabe, talvez a chuva em excesso seja um dos diversos reclamos da Natureza, pelas agressões que lhe são impostas pelo homem. Belo poema Renata.

Abraços e um bom domingo para ti e para os teus.

Furtado.

MARILENE disse...

Renata, a música do vídeo é muito bela.
A chuva faz estragos, a sujeira que os homens deixam nas ruas entope os bueiros, o trânsito vira um caos... A cidade não pode parar e os indivíduos ficam desesperados por não conseguir chegar no horário. Mas estamos precisando tanto dela! Bjs.

APENAS PALAVRAS disse...

Amei a sua publicação, e a maneira como escreve de forma magistral... Hoje vim estender-te o convite de divulgar o meu novo trabalho... “Cujo tema é...” “ANTES QUE O DIA TERMINE” ... Vou deixar o link para vc entrar e conferir, e compartilhar em seu meigo e lindo espaço para todos seus amigos... Caso deseje postar a capa do meu livro no seu espaço como referencia basta copia-lo no meu espaço. No mais te deixo um bj carinhoso e um ótimo inicia de semana...

https://.clubedeautores.com.br/books/search?utf8=%E2%9C%93&where=books&what=wander+Alves+Da+Silveira&sort=&topic_id=

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Renata! Passando para agradecer a tua visita e amável comentário deixado lá no nosso Literatura & Companhia Ilimitada. Como vês, a quantidade de comentário é pouca, mas, segundo as estatísticas, ele é muito mais visitado do que o Arte & Emoções. Confesso que estou pensando seriamente em desativa-lo.

Abraços,

Furtado.

vendedor de ilusão disse...

Chô, chuá! Haja água pra lavar e lavar sem dó muitas e muitas coisas! Gostei muito do poema crônico, - encantei-me lendo as tuas "tiradas" criativas e espirituosas.
Beijo, Renata.

Nilson Barcelli disse...

Adorei o teu poema.
Até vi a chuva a cair a cântaros sobre o morro, arrastando tudo à sua passagem.
Magnífico, gostei imenso.
Do vídeo, esta música é imortal, um grande clássico do século XX.
Renata, minha querida amiga, deixo-te um beijo abrigado da chuva...

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Renata! Uma bela quarta-feira com muita saúde e paz para ti e para os teus.

Abraços,

Furtado.