sexta-feira, 31 de outubro de 2014

MOMENTOS


MOMENTOS



Numa tira de papel

– uma das tantas folhas que carrego - ensaio

um poema e me lembro – quando muito – de uma canção

Ao redor, cenas perfeitas nos gestos

E rostos desconhecidos

E você monta num roteiro imaginário

Diálogos não ouvidos, reconstruindo

Num piscar de olhos a vida, um teatro?

Olhos abertos, submergimos em nossa própria história

ah, essas águas contidas que às vezes

rompem barragens e nos arrastam no turbilhão...

Essas pupilas que se refletem não precisam de linguagem;

são dois espelhos cara a cara à procura de uma imagem

quando a vêem são muitas, divididas

Girar a roda do tempo

tornar àquela praia, falar ao vento

e às ondas do mar do ponto

em que se se cruzaram - estranhos – nossos caminhos...

entre quatro paredes reviver os momentos de prazer

e dor antecipada da tristeza mais funda deste mundo...

As mil histórias que vivemos rebelam-se

à escritura, não querem perenidade à falta de futuro

talvez só um pouco de ternura, querem ser presente,

mesmo que efêmera felicidade.


® Renata Cordeiro

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CHORO BANDIDO





CHORO BANDIDO

Edu Lobo/Chico Buarque




Mesmo que os cantores sejam falsos como eu

Serão bonitas, não importa

São bonitas as canções

Mesmo miseráveis os poetas

Os seus versos serão bons

Mesmo porque as notas eram surdas

Quando um deus sonso e ladrão

Fez das tripas a primeira lira

Que animou todos os sons

E daí nasceram as baladas

E os arroubos de bandidos como eu

Cantando assim:

Você nasceu para mim

Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos

E as janelas do vestido

Minha musa vai cair em tentação

Mesmo porque estou falando grego

Com sua imaginação

Mesmo que você fuja de mim

Por labirintos e alçapões

Saiba que os poetas como os cegos

Podem ver na escuridão

E eis que, menos sábios do que antes

Os seus lábios ofegantes

Hão de se entregar assim:

Me leve até o fim

Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso

São bonitas, não importa

São bonitas as canções

Mesmo sendo errados os amantes

Seus amores serão bons

domingo, 26 de outubro de 2014

SÓ VOU GOSTAR DE QUEM GOSTA DE MIM



SÓ VOU GOSTAR DE QUEM GOSTA DE MIM


De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...

Não quero com isso
Dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E prá não chorar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...

Não vai ser fácil
Eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém...

De hoje em diante
Eu vou modificar
O meu modo de vida
Naquele instante
Em que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E prá começar
Eu só vou gostar
De quem gosta de mim...

Composição: Rossini Pinto




HISTORINHA DE HALLOWEEN




HISTORINHA DE HALLOWEEN


Para este Halloween

Comprei uma quantidade enorme de guloseimas

Para deleitar todas as crianças que virão à minha casa

Logo ao cair da noite entre às seis e às nove horas

As crianças virão bater à porta da casa

Sob as máscaras as expressões de todas as personagens

Que pela inocência renascem das cinzas

Drácula virá com os dentes pontiagudos

Frankenstein me surgirá mais pálido do que nunca

Ah, como gostava de retornar à infância e voltar a ser

Como todas essas crianças

Mas mesmo vivida guardo em minha essência a eterna menina

A magia do Halloween nunca, jamais, é traída

Esquecida


Corujas que ululam Bruxas que rangem seus dentes ausentes

Espreitam-nos na passagem

Prestemos atenção

Escutemos!


@ Renata Cordeiro


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

OS EXILADOS




OS EXILADOS

“Dor! Ao peito o ar natal nos tem tanto faltado!
Aqui, é lenta ao nosso corpo a seiva.
Montes, pinhos, mas onde, e aqueles nossos cabos
Cujo espinho, qual franja cobre as beiras?


“Onde o verde pendor dos nossos vales,
Em que o olhar se compraz nas filas tantas,
Formadas, margeando os argentinos mares,
Pelos tetos das nossas casas brancas?


“Onde o nórdico inverno e as tempestades grãs,
Gigantes de que tenho, aqui, saudade:
E o espesso nevoeiro e as festas folgazãs
Em que o prazer afasta a gravidade?


“Aqui, mesma estação e monótono céu;
O tempo muda muito pouco, às vezes.
No cálido ar, com pó, sussurra um vento ao léu.
Ah! Dai-nos nossas neves, nossos verdes!”


François-Xavier Garneau (1809-1866)
Tradução de Renata M. P. Cordeiro



quarta-feira, 15 de outubro de 2014



Só quem tem olhos que choram pode ver as flores.

domingo, 12 de outubro de 2014

E A GENTE É FELIZ ASSIM, CADA DIA





E A GENTE É FELIZ ASSIM, CADA DIA


E cada um vai sendo feliz como acha que deve ser, como acha que é ser feliz.

E o tempo passa, a vida passa, as pessoas passam.

Cada um com sua calma, sua pressa, seu valor.

Não tenho desespero em viver, apenas disposição para fazer hoje ser muito melhor do que ontem.

Nem sei se tenho o amanhã, então o hoje tem que ser o melhor dia que já vivi, com as melhores pessoas que já estive em toda a vida.

Pra quê tudo isso? Desordem mental de fundo emocional!?

E a gente é feliz assim, cada dia.

Todo dia.

@ Renata Cordeiro

domingo, 5 de outubro de 2014

SEMPRE É TEMPO DE SER FELIZ




SEMPRE É TEMPO DE SER FELIZ

Teu charme é luz que seduz
Em sorrisos de plena alegria
Tua beleza desfila a clara manhã
De cintilantes majestades
E as horas passam depressa
Tão ligeiras tão saltitantes

Qual suave vento do mar
Dizendo que tua vida encanta
Tua inteligência vibra e voa
Pairando em desfiles de pura poesia
Por onde passas por onde vives
Deixarás saudades e lembranças
Definitivas
Sempre é tempo de ser feliz
® Renata Cordeiro