quinta-feira, 14 de abril de 2016

BEM VINDA



BEM VINDA

Se o caminho está traçado desde o princípio
e neste jogo de vida ou morte ninguém a derrota
o ponto em que tudo começa
contém em si o ponto final
e só nos cabe seguir – bem ou mal –
o roteiro desta história
tratar no máximo de blefar o efêmero
na esperança de que algo reste ou quem sabe
se feche uma porta e se abra uma brecha
Partir a alturas desconhecidas – ou serão abismos?
não deve ser tão terrível assim
soltar-se enfim do chão e das raízes
mas antes de vê-las crescer lá de baixo
como condenado, conceda-me um último desejo
De tanto querer a vida, ó inevitável,
não quero que você me chegue desavisada
sem mandar recado ou pelo menos um cartão postal
isso de levar a gente de arrebato sem preparo
não se faz, embora, reconheço
seja a vontade de quem teme a dor de ser
Dê-me um tempinho de sentir seus passos
dar uma olhada em volta e despedir-me
afinal não há paradoxo algum em beber
deste cálice até a última gota
e, por assim dizer, viver a própria morte


7 comentários:

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite Renata.
Um poema tocante, fortíssimo, maravilhoso. Sempre desejei receber um cartão postal antes, para me da tempo de mim preparar, mas quando afinal chegou uma carta rsrs, percebi que esse meu desejo não era mais desejado, pois eu nunca estarei preparada para o inevitável. Um abençoado final de semana. Grande abraço.

Jaime Portela disse...

Se a morte avisasse as pessoas, não sei se seria melhor, porque talvez fizéssemos grandes disparates no tempo que nos restava de vida.
Em qualquer caso, o teu poema é excelente, é uma profunda reflexão sobre a vida que vale a pena ler e reler. Parabéns.
Bom fim de semana, querida amiga Renata.
Beijo.

Jorge disse...

Concordo com os comentários acima. Para quem como eu adora viver, se a morte me avisasse do dia e hora, seria capaz de cometer as maiores indecências.
Parabéns pelo magnifico poema!

Um beijinho

Mariazita disse...

Um texto poético bastante reflexivo...
É difícil imaginar como reagiríamos perante situações que são impensáveis...

Amiga, tive uns problemitas com o blogue dos selinhos e tive que fechar os comentários. Mas já está tudo resolvido. Pode comentar à vontade.. :)))

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Rosa Alentejana disse...

Gostei desta introspeção (tua) que se tornou "nossa". Pois eu queria saber sim, e iria fazer o que deixei para depois rsrs Mas acima de tudo...aproveitar cada segundo! Nós não desfrutamos, somos reféns do tempo :)
Beijinho e obrigada pela partilha!

MARILENE disse...

Não sabemos quando será colocado o ponto final, mas a construção ficou encantadora. Não creio que seja bem vinda (rss) já que sempre pensamos não ter concluído o roteiro. Um tempo para a despedida!!!! Talvez possamos pensar, a cada dia, que nos está sendo concedido. Bjs.

Sonia Pallone disse...

Cabe aqui um poeminha meu: "...Tempo, nunca te vejo mas creia, ouço os seus passos..."

Lindo poema querida Renata. Um feliz Domingo pra vc !