quinta-feira, 28 de abril de 2016

ESSAS COISAS, ESSAS IDEIAS




ESSAS COISAS, ESSAS IDEIAS

Sou assaltada pelas palavras
nos momentos mais inoportunos
ideias tresloucadas brotam
e tenho a impressão que até em pleno sono
– nem aí as danadas me abandonam
Sou capaz de me deleitar
com os meandros mágicos loucos
de um repolho roxo cortado ao meio
e a chuva varrendo os telhados me soa sinfonia da natureza

Se é noite, sou um feto
me enrolo caracol nas cobertas
agradeço o teto que me protege
e espero outras insônias
para sentir-me gato uivando na escuridão
percorrendo com passos lépidos
os cumes frios da cidade.
Entregue a esta solidão
perdi tudo e não encontrei
nem a mim mesma...
é o que dá ser ensimesmada
e filosofar de madrugada!

“Por que me abandonastes?”
Aí está, relutei em escrever
e assim mesmo entre aspas

Talvez não soubesse
separar o trigo do joio
o verdadeiro atolado
no mar da hipocrisia
e foi assim que me disse ateia
esqueci de santos parábolas e orações
– de ladainhas e novenas nem me fale!

Mas algo restou de um senso
cristão de humanidade
e ainda sei rezar
às gotas da chuva
à vida em semente que ela traz
às frutas que não vejo crescer no pé
à vida irreverente que palpita em mim


9 comentários:

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite querida Renata
Um belo poema, que o seu final de semana seja repleto de alegrias. Enorme abraço.

Bandys disse...

Ola Renata,
Muito intenso e com uma carga de esperança que nos faz acreditar que tudo é possível.
Beijos

São disse...

Gostei de conhecer a canção .

Penso que mais tarde ou mais cedo, seja quando for, todas as pessoas reconhecerão a existência de algo que transcende a Humanidade.

Bom Maio, querida.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Renata! O pior é que tem muita gente que não crê na existência DELE.

Beijos e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado.

MARILENE disse...

Renata, não há respostas para tudo. Nós nos perdemos e nos encontramos novamente, muitas vezes. Filosofar, sentir inconformismo, ter a sensação de não ser ouvido ... próprio dos seres humanos, pois desconhecemos os desígnios divinos. Um belo poema e música que me agradou. Bjs.

Mariazita disse...

Minha querida amiga
Quem não tem momentos de insanidade?
Não sei se conhece um velho ditado: De médico e de louco todos temos um pouco...

Depois... dúvidas, incertezas, crer, não crer... ai o ser humano é tão imperfeito!
Mas todas estas questões deram origem a um belo poema.

Votos de uma semana muito feliz.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Rosa Alentejana disse...

Olá Renata!
Quando pensamos que tudo é reduzido a nada, volta a esperança no dia seguinte.
Gosto imenso de te ler!
Obrigada por esta partilha saborosa de final de tarde.
Beijinhos

Rosa Alentejana disse...

Que essa vida irreverente nunca deixe de brilhar e trazer-nos a alegria de a ler...Beijinhos <3

rosa-branca disse...

Amiga Renata um coração agitado com a alma em desassossego que resultou num poema magnífico. Gostei muito. Boa semana e beijos com carinho